Itacoatiara, Brasil, e Nazaré: dois tipos de desafio no tow-in
IBW 2026 aproxima a praia brasileira do universo competitivo de Nazaré

Itacoatiara Big Wave 2026 (IBW) aproxima a praia brasileira do universo competitivo de Nazaré, mas sobre uma onda mais curta, rápida, cavada e próxima da areia
Do outro lado do Atlântico, na Praia de Itacoatiara, em Niterói, no Rio de Janeiro, Brasil, a oitava edição do Itacoatiara Big Wave (IBW) está com a janela de competição aberta. O campeonato brasileiro é disputado em tow-in, modalidade que cria uma ligação direta com Nazaré no cenário internacional.
Segundo o diretor-executivo do IBW, Alexey Wanick, Itacoatiara e Nazaré são atualmente dois locais que realizam sistematicamente competições nesse formato. A semelhança, porém, não torna as ondas equivalentes.
Nazaré alcança dimensões muito superiores e tem a formação influenciada pelo conhecido cânion submarino. Itacoatiara apresenta outro tipo de desafio: ondas menores, mas mais rápidas e cavadas, com possibilidade de tubos, variedade de manobras depois do drop e pouco espaço entre a quebra e a areia.
“Em muitos mares grandes em Itacoatiara é extremamente difícil se conseguir surfar uma onda na remada. Com o apoio do jet-ski, os surfistas conseguem não apenas surfar ondas que não conseguiriam, mas também apresentar um surf de alta performance em razão das pranchas pequenas que utilizam”, afirma Alexey.
Tubos, velocidade e potência
Itacoatiara é conhecida pela sua potência e pela rápida mudança das condições junto à bancada rasa. Guilherme Herdy acompanha há décadas o comportamento da praia e destaca a força da onda.
“Itacoatiara é uma onda muito forte, uma onda que concentra muita energia”, resume.
Gabriel Sampaio, que cresceu em Itacoatiara, considera o tubo um dos principais objetivos de performance, mas destaca também a possibilidade de realizar grandes manobras graças à força da onda.
Michaela Fregonese relaciona diretamente a experiência em Itacoatiara com a preparação para outros grandes picos internacionais.
“É uma onda extremamente pesada, tubular, power. Toda vez que você surfa Itacoatiara, você se prepara para ondas como Nazaré e Jaws”, afirma.
Além da potência, os surfistas precisam lidar com os bumps, irregularidades na superfície que podem desequilibrar o atleta quando está a alta velocidade. A leitura da onda torna-se, por isso, essencial para decidir rapidamente entre procurar o tubo, executar uma manobra ou escapar da zona mais crítica.
O medo não depende apenas do tamanho
Campeão do tow-in do IBW em 2022, Wylliam Santana regressa à competição e reconhece que o respeito por Itacoatiara não diminui por a onda ser menor do que em Nazaré.
“Quando falam em Itacoatiara, meu coração acelera da mesma forma. É claro que tem uma proporção de tamanho de onda diferente, porém o respeito pelo mar e o medo é o mesmo.”
Uma das dificuldades está em prever como a onda irá reagir ao chegar à bancada rasa. Uma formação aparentemente perfeita pode mudar rapidamente durante a entrada, tornando-se perigosa.
A comparação com Nazaré, portanto, não depende apenas da altura. Se a Praia do Norte se tornou referência mundial pela escala das ondas, Itacoatiara apresenta outro desafio: potência concentrada, velocidade, tubos, mudanças rápidas de formação e pouco espaço entre a quebra e a areia.
A janela do IBW 2026 permanece aberta, ainda sem data confirmada para a primeira sessão.
Veja em baixo algumas fotos de sessões de surf nas ondas da Praia de Itacoatiara, no Brasil. Fotos: Tony D’Andrea, cedidas pelo Itacoatiara Big Wave 2026:
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